Por: Karyne Correia
Que os traumas que vivemos na infância deixam marcas para a vida
adulta, nós já sabemos. Muitos dos medos e ansiedades que sentimos, além
das dificuldades nos relacionamentos interpessoais e problemas de
autoestima têm sua origem na infância, em eventos que naquele período
foram traumáticos.
Contudo, um estudo da Escola de Medicina da Universidade Yale
verificou uma relação entre o trauma experimentado na infância e a
redução do volume cerebral de áreas importantes para o aprendizado, a
memória e o controle das emoções. Esta redução do volume cerebral
implicaria em uma vulnerabilidade maior a desenvolver algumas
dificuldades. Por exemplo, de acordo com o mesmo estudo, pacientes em
tratamento de dependência de drogas que tenham sofrido traumas na
infância teriam maior vulnerabilidade a ter recaídas e voltar a usar
drogas após tratamento.
Ao ler sobre este estudo fiquei pensando em quão grave são as
consequências do pecado para nossa saúde mental. As situações terríveis a
que crianças são expostas todos os dias, e que geram traumas, atuam não
apenas num nível cognitivo (de pensamentos e emoções), mas em um nível
físico, debilitando fisicamente o cérebro.
Felizmente existe solução. Existem centenas de pessoas que vivem
experiências traumáticas, mas desenvolvem o que chamamos de resiliência,
uma forma mais positiva de lidar com a vida após ter vivido situações
complexas como as que geram traumas. Alguns desenvolvem a resiliência
com suporte profissional. Outros a desenvolvem através de novas
experiências que experimentam ao longo da vida. O fato é que, mesmo que o
mal gere grandes danos físicos e mentais, estes danos não são o fim. É
possível superar.

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