Por: Marcela Pimenta Pavan Quando choramos há um transbordamento de emoções e isso pode acontecer por vários motivos. Podemos chorar de alegria por um sonho realizado, chorar de alívio quando passamos por uma situação difícil, chorar de dor, seja ela física ou emocional, chorar quando pedimos ou recebemos ajuda, chorar de tristeza… Seja qual for o motivo, e ás vezes nem sabemos qual é, o choro fala de algo que está transbordando em nós. É natural da espécie humana e existe há muito tempo, segundo o oftalmologista Juan Murube Del Castillo, da Universidade de Alcalá, em Madri, a hipótese mais plausível, é que o choro tenha surgido antes da linguagem falada, como uma expressão mímica para comunicar dor. Concluímos então que o choro surgiu com a função de comunicar e até hoje comunica, quando alguém está chorando sabemos automaticamente que algo saiu do controle e tendemos a dar mais atenção a isso. Se estamos andando na rua e alguém passa por nós chorando provavelmente não passará despercebido, chamará nossa atenção.
O choro também muitas vezes incomoda,
principalmente quando está relacionado a tristeza, perda, morte,
separação, depressão. É comum nos afligirmos com o choro, tanto quando
nós choramos, principalmente em público, quanto quando presenciamos o
choro de alguém, pois podemos não saber lidar com isso. Mas, se o choro
existe há tanto tempo entre nós, porque o estranhamos?
Choro e vulnerabilidade
O choro muitas vezes é interpretado como
uma demonstração de vulnerabilidade. Quando alguém chora se sente
exposto na sua fragilidade, por isso muitas vezes as pessoas preferem
buscar um lugar para chorar sozinhas. Outro ponto é a reação exagerada
que o choro provoca nas pessoas em volta. Quem está chorando muitas
vezes não quer causar toda essa reação, só busca expressar sua emoção
com tranquilidade. Muitas vezes recebo no consultório pessoas que querem
o seu momento de chorar e aproveitam o espaço da psicoterapia para
isso, pois não se sentem a vontade para chorar em outros lugares ou com
outras pessoas, mesmo que sejam amigos ou familiares.
Poder chorar é muito terapêutico.
Quando encontramos espaço e compreensão no outro para esse momento
importante, sem causar alarde ou julgamentos, isso gera um grande
conforto e alívio, a pessoa sensibilizada pode pensar melhor e seguir
mais tranquila depois de um momento assim. Ás vezes só de poder chorar
um pouco e colocar para fora as emoções represadas, a pessoa recupera o
bem-estar.
No entanto o que acontece é que cada vez
damos menos espaço para a expressão sincera das emoções. Quando alguém
chora perto de nós o que geralmente dizemos? “Para com isso! Você é
forte! Não pensa nisso! Limpa esse rosto! Logo isso passa! ” Sem
percebermos estamos a todo momento negando o choro e o sofrimento do
outro e com isso não legitimamos o sentimento, não permitimos que algo
natural em nós encontre espaço na vida. E porque fazemos isso? Porque
temos medo, medo de algo sair do controle, medo do que pode vir com o
choro e o sofrimento do outro, medo do nosso próprio choro e sofrimento.
O que muitos de nós não sabemos é que as emoções encontram espaço para
se expressar quer a gente dê permissão ou não. Isso significa que se eu
“engulo o choro” em um momento, em outro momento essa emoção vai buscar
uma forma de aparecer, seja numa dor de garganta ou na agressividade com
alguém próximo. Achamos que ao evitarmos o choro estamos evitando a
emoção, mas não é assim que funciona.
Como podemos mudar isso?
O choro quando é apenas uma forma de
conseguir atenção e para que o outro resolva o nosso problema é, sem
dúvida, um comportamento imaturo. Quando crescemos desenvolvemos
recursos mais eficientes para lidar com as dificuldades e é importante
que isso aconteça, pois demonstra amadurecimento e melhora a qualidade
de vida. Porém, todos nós somos afetados por emoções, independentemente
da idade, e é natural que algumas vezes as emoções nos tome por completo
levando-nos às lágrimas. Quando isso acontecer com você lembre-se que o
choro é uma reação natural e que ajuda na liberação da tensão
emocional. Se permita também olhar para essa emoção, perceber o que está
por trás dela, busque uma forma de expressá-la sem se auto punir por
isso.
Sem alguém chorar perto de você, ofereça o
ombro, um lencinho de papel, um olhar compreensivo, um abraço. Escute,
espere, reconheça e, se for necessário, diga “pode chorar, eu entendo”
ou ” estou aqui com você, fique a vontade pra deixar vir o que quiser” .
Essa é uma ação que, além de bela, é extremamente terapêutica e que
colabora com um mundo mais tolerante com as emoções, seja elas quais
forem. Não somos tão racionais quanto pensamos, somos movidos pela
emoção e buscamos por isso. Deixar que as emoções transpareçam em nós é
sermos mais tolerantes e humanos conosco e com o mundo.
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