Por: Marcela Pimenta Pavan
Onde há gente, há relacionamento e,
constantemente, conflito. Os conflitos fazem parte da natureza das
relações, sejam eles amorosos, profissionais ou familiares.
Temos a tendência de pensar o conflito
como algo exclusivamente negativo, mas a psicologia sabe que, muitas
vezes, o embate é necessário nas relações para que surjam novas
possibilidades de ajustamento. É uma oportunidade para a pessoa parar,
repensar e se dispor a encontrar formas mais criativas e satisfatórias
de convivência, e assim as relações amadurecem.
Muitas pessoas, porém, ao se verem em um
embate escolhem um caminho diferente, optam precocemente pelo
afastamento ou rompimento das suas relações, como uma forma de resolver a
questão angustiante e incômoda. Isso pode ser uma possibilidade, mas
vejo que um dos motivos das pessoas desistirem antes da hora é
simplesmente por não entenderem o outro, e principalmente, a si mesmos.
Essa dificuldade de compreensão está
relacionado, entre outras coisas, a uma não percepção do espaço de
importância que o outro ocupa nas suas relações, a esse espaço podemos
dar o nome: território de atuação.
O território de atuação é um dos aspectos
mais valiosos para nós e, muitas vezes, não nos damos conta. É o lugar
que construímos psiquicamente e imaginamos sermos valorizados, amados e
respeitados por isso.
Conseguir ler ou não o território
demarcado exige uma boa observação e reflexão, pois não há nenhuma linha
definida que nos mostre claramente isso, porém percebê-lo e respeitá-lo
podem evitar embates desnecessários ou melhorar a qualidade deles.
Como assim ler o território?
Tanto os animais quanto os seres humanos
necessitam demarcar seu território, além do geográfico, homens e
mulheres constroem simbolicamente territórios de existência e atuação.
Ali determinam o seu lugar de poder e conforto e qualquer ameaça ou
invasão gera o conflito, muitas vezes estamos reagindo e protegendo o
nosso território, ou ameaçando o território do outro, e não percebemos.
Por exemplo, quem nunca viu um
funcionário novo ser boicotado por um colega de trabalho. É natural que o
novo chegue com energia e novas ideias e isso pode representar uma
ameaça para quem já está há mais tempo na função e já tem estabelecido
seu território de atuação.
Na família, a nova namorada do pai pode
representar uma ameaça para a filha. A atenção do pai para a mulher
estranha pode estar invadindo o território já estabelecido entre pai e
filha. A angústia de ser esquecida pelo pai cresce e os conflitos surgem
através do ciúmes e dos comportamentos da filha para conseguir mais
atenção.
O ser humano quando se sente ameaçado pode ter reações extremas, atacar, se descontrolar, se afastar, se fragilizar.
Como identificar os territórios de atuação?
O primeiro passo é observar e escutar.
Quando observamos atentamente identificamos os territórios. As reações
exageradas, tanto na fala quanto no comportamento, podem ser sinais de
que alguém está reagindo a uma ameaça, mesmo que imaginária.
E o mais importante é nos incluirmos
nesse processo, percebendo e identificando os nossos próprios
territórios, quando nos sentimos ameaçados e estamos reagindo a isso.
Ter essa percepção é importante pois
quando nos deparamos com uma reação violenta do outro ao invés de nos
magoarmos ou internalizarmos a culpa, podemos considerar essa
possibilidade, que o motivo da reação é a insegurança. Assim ampliamos
a visão em relação ao contexto e buscamos novos caminhos que fortaleçam
os laços afetivos ou profissionais ao invés de ameaçá-los. Quando nos
sentimos seguros, não precisamos reagir, podemos desarmar as defesas e
permitir que as relações se desenvolvam e amadureçam.

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