domingo, 18 de dezembro de 2016

A AUTOESTIMA NA ERA DO SELFIE

Por: Marcela Pimenta Pavan

As selfies já fazem parte do nosso dia a dia. Registrar a própria imagem em um bom  ângulo e postar na rede se tornou tão comum que poucos ainda não se renderam a essa forma de estar presente no seu círculo virtual.
Mas, o que chama a atenção é que de algum tempo para cá as selfies tem crescido excessivamente demonstrando uma fixação em sim mesmo. Uma pesquisa da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva fez um levantamento com 2,7 mil cirurgiões americanos e concluiu que um em cada três profissionais pesquisados registrou “aumento nos pedidos de procedimentos porque os pacientes estão mais preocupados com os olhares nas redes sociais”.
Será que há algo por trás desse comportamento? O que estimula as pessoas a ficarem tão preocupadas com a própria imagem?
De alguma forma receber várias curtidas, chamar a atenção e ser admirado faz com que as pessoas busquem mais e mais por isso, parece haver um desejo pelo olhar constante do outro. E não é só em relação aos bonitos, há espaço para vários estilos: os charmosos, os criativos, os nerds, os cultos.. A questão não é o que, mas a necessidade em parecer alguma coisa, impressionar o outro, chamar a atenção, independente se é adequado ou não. As selfies dos velórios demonstram que mais importante do que estar no velório e mostrar para os outros que está.

 Excesso de autoestima?
 
A autoestima é a confiança no próprio potencial, a certeza da capacidade de enfrentar os desafios da vida, a consciência do próprio valor e do direito ao sucesso e à felicidade. (CERQUEIRA, 2004).

Lendo essa definição de autoestima podemos fazer uma nova reflexão. Será que as pessoas que estão muito preocupadas com o olhar do outro confiam tanto no próprio potencial? Quando precisamos constantemente da afirmação e da “curtida” do outro para sentir alguma satisfação, algo está equivocado. Estamos olhando cada vez mais para fora, ao invés de olhar para dentro, e isso reforça o sentimento de insegurança em si mesmo.
Isso quer dizer que esse movimento exagerado ao invés de demonstrar que as pessoas estão seguras e felizes consigo mesmas mostram, na verdade, o contrário. Uma auto insatisfação constante e a necessidade de parecer, muito maior do que a necessidade de realmente ser.
O risco é alto quando colocamos todas as fichas na aceitação do outro. Pois as outras pessoas podem não se importar, não curtir, não responder, não gostar. Nessa hora surge o sentimento de rejeição e inadequação. Para responder a essa inadequação as pessoas buscam novas formas de aparecer e chamar ainda mais a atenção.
 
E o que fazer?

O caminho para construir a verdadeira autoestima é totalmente inverso. Conhecer a nós mesmos e nos aceitarmos nos fortalece como indivíduos. É preciso coragem para olhar para si mesmo, ver as forças e as fraquezas, e ser generosos com isso, reconhecendo que toda a humanidade tem suas vulnerabilidades.
Por trás da beleza, do dinheiro, do status, da intelectualidade, há uma parte frágil querendo se esconder, as pessoas precisam ter espaço para mostrar sua fragilidade humana. Essa era da perfeição só colabora para mais ansiedade e sentimento de inferioridade.
Só através do autoconhecimento podemos receber quem nós somos, e assim se formos curtidos ou não, seja na rede social ou na vida, podemos seguir leves, pois escolhemos mostrar aquilo que, primeiramente, faz sentido e é coerente para nós mesmos.

AUTO-RESPEITO: UM CUIDADO NECESSÁRIO

Por: Marcela Pimenta Pavan

Grande parte das pessoas tem uma rotina agitada. Corresponder as exigências do dia a dia como trabalhar, malhar, estudar, cuidar do relacionamento, dos filhos, estar bem informado e tantas outras coisas, exige uma boa dose de energia diária.
Com o acesso a tantas informações estamos sempre buscando algo novo, nos comparando as outras pessoas e com a constante sensação de que precisamos nos esforçar mais e mais. Pouco reconhecimento e muita pressão externa, e interna, pode levar a um esgotamento comum a muitas pessoas, sensação de estafa, desânimo, angústia, cansaço.
Essas consequências aparecem como sinais de que algo não vai bem, mas muitas vezes não os consideramos e seguimos em frente, tentando não pensar muito para não atrasar o dia e a vida, procurando por algo que nos anime, que alivie a angústia e nos ajude a cumprir com tudo que é preciso.

Mas parar não é pior?

Estar na posição sempre alerta, com a cobrança interna muito alta, aumenta o nível de stress que, em excesso, abaixa a imunidade e aumenta o risco de doenças. Além disso, quando atropelamos, durante muito tempo, os sinais que a nossa psique nos apresenta, podemos sentir uma tranquilidade momentânea, mas no primeiro conflito ou novo desafio o abatimento pode aumentar, tornando cada vez mais difícil encontrar animo e motivação.
Muitas vezes não reconhecemos que estamos colocando uma pressão excessiva na nossa vida, exagerando nas cobranças a nós mesmos e aos outros, e isso pode acontecer em várias áreas da vida. Algumas pessoas conseguem respeitar melhor o limite e o desejo do outro, do que o seu próprio bem estar, achando sempre que pode dar um pouco mais de si, se esforçando mais a cada dia, sem perceber que está ultrapassando seus limites e se fazendo mal

E o que fazer com esses sinais?

É importante parar um pouco. Quando algo estiver incomodando, não tenha receio de se perguntar  o que está acontecendo, qual o motivo daquela angústia e permitir que a resposta venha. Em grande parte das vezes as pessoas precisam de ajuda para encontrar suas respostas, através da psicoterapia ou outro caminho que leve ao autoconhecimento.
Não estamos acostumados a nos perceber, a prestar atenção em nós mesmos, por isso é importante reconhecer a hora de pedir ajuda e aceitar que ela venha. Pedir ajuda não é sinônimo de fraqueza e sim uma atitude de amor e respeito consigo mesmo.

Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesmo de vez em quando numa redoma e poupe-se” 
Clarice Lispector

CONFLITO NAS RELAÇÕES: TERRITÓRIO AMEAÇADO

Por: Marcela Pimenta Pavan

Onde há gente, há relacionamento e, constantemente, conflito. Os conflitos fazem parte da natureza das relações, sejam eles amorosos, profissionais ou familiares.
Temos a tendência de pensar o conflito como algo exclusivamente negativo, mas a psicologia sabe que, muitas vezes, o embate é necessário nas relações para que surjam novas possibilidades de ajustamento. É uma oportunidade para a pessoa parar, repensar e se dispor a encontrar formas mais criativas e satisfatórias de convivência, e assim as relações amadurecem.
Muitas pessoas, porém, ao se verem em um embate escolhem um caminho diferente, optam precocemente pelo afastamento ou rompimento das suas relações, como uma forma de resolver a questão angustiante e incômoda. Isso pode ser uma possibilidade, mas vejo que um dos motivos das pessoas desistirem antes da hora é simplesmente por não entenderem o outro, e principalmente, a si mesmos.
Essa dificuldade de compreensão está relacionado, entre outras coisas, a uma não percepção do espaço de importância que o outro ocupa nas suas relações, a esse espaço podemos dar o nome: território de atuação.
O território de atuação é um dos aspectos mais valiosos para nós e, muitas vezes, não nos damos conta. É o lugar que construímos psiquicamente e imaginamos sermos valorizados, amados e respeitados por isso.
Conseguir ler ou não o território demarcado exige uma boa observação e reflexão, pois não há nenhuma linha definida que nos mostre claramente isso, porém percebê-lo e respeitá-lo podem evitar embates desnecessários ou melhorar a qualidade deles.

Como assim ler o território?

Tanto os animais quanto os seres humanos necessitam demarcar seu território, além do geográfico, homens e mulheres constroem simbolicamente territórios de existência e atuação. Ali determinam o seu lugar de poder e conforto e qualquer ameaça ou invasão gera o conflito, muitas vezes estamos reagindo e protegendo o nosso território, ou ameaçando o território do outro, e não percebemos.
Por exemplo, quem nunca viu um funcionário novo ser boicotado por um colega de trabalho. É natural que o novo chegue com energia e novas ideias e isso pode representar uma ameaça para quem já está há mais tempo na função e já tem estabelecido seu território de atuação.
Na família, a nova namorada do pai pode representar uma ameaça para a filha. A atenção do pai para a mulher estranha pode estar invadindo o território já estabelecido entre pai e filha. A angústia de ser esquecida pelo pai cresce e os conflitos surgem através do ciúmes e dos comportamentos da filha para conseguir mais atenção.
O ser humano quando se sente ameaçado pode ter reações extremas, atacar, se descontrolar, se afastar, se fragilizar.

Como identificar os territórios de atuação?

O primeiro passo é observar e escutar. Quando observamos atentamente identificamos os territórios. As reações exageradas, tanto na fala quanto no comportamento, podem ser sinais de que alguém está reagindo a uma ameaça, mesmo que imaginária.
E o mais importante é nos incluirmos nesse processo, percebendo e identificando os nossos próprios territórios, quando nos sentimos ameaçados e estamos reagindo a isso.
Ter essa percepção é importante pois quando nos deparamos com uma reação violenta do outro ao invés de nos magoarmos ou internalizarmos a culpa, podemos considerar essa possibilidade, que o motivo da reação é a insegurança. Assim ampliamos a  visão em relação ao contexto e buscamos novos caminhos que fortaleçam os laços afetivos ou profissionais ao invés de ameaçá-los. Quando nos sentimos seguros, não precisamos reagir, podemos desarmar as defesas e permitir que as relações se desenvolvam e amadureçam.

AUTO-OBSERVAÇÃO: VOCÊ PRATICA?

Por: Marcela Pimenta Pavan

A auto-observação é a capacidade de nos percebermos e respeitarmos o nosso estado emocional, pode parecer simples, mas é um exercício que exige uma certa coragem e uma disponibilidade interior para aproximar-se de si mesmo.
É uma prática que traz muitos ganhos, pois a partir de uma boa observação podemos fazer escolhas mais acertadas para a nossa vida e para as relações que temos, ganhando em bem-estar e autonomia.
A auto-observação é como um exercício, quando colocamos energia e damos continuidade, ela se torna um hábito, e se apresenta como um recurso diário que nos auxilia perante as adversidades da vida.

Como é isso no dia a dia?

Quanto mais agitada a nossa vida, mais a tendência a prestarmos muita atenção para o que é externo. É preciso trabalhar, cuidar de si, cuidar dos filhos, e tantas outras coisas. E o interno? Muitas vezes deixamos para depois e quando, constantemente, passamos por cima de nós mesmos, sem nos percebermos, a irritação e a insatisfação se instalam. Tendemos a nos irritar com as coisas, situações e pessoas em demasia. Quando projetamos toda a nossa irritação externamente é hora de parar e retomar a situação, buscando encontrar o que é realmente nosso e o que é do outro.
Uma das formas de amenizar essa irritação é praticando diariamente a auto-observação. Só de reconhecermos como estamos emocionalmente já há um certo alívio, é o respeito a si mesmo, uma espécie de auto gentileza por aquilo que somos.

Como exercitar?

Uma das sugestões é que logo pela manhã você se pergunte: Como estou hoje? Escreva e coloque em algum lugar visível, não tenha receio da resposta, medite a respeito por alguns minutos. Depois encontre formas de ser generoso consigo mesmo. Por exemplo, se a resposta foi “hoje estou desanimado porque tenho uma reunião difícil no trabalho”, que tal se poupar um pouco? A ideia é não se colocar em situações que vão exigir de você mais do que pode doar. Ao contrário, se está animado, feliz, pode programar atitudes que vão exigir mais de você, pois terá energia para isso.
Ao longo do dia esteja atento as suas reações, ficou com raiva no trânsito? Procure algo que te traga mais tranquilidade antes de começar o trabalho. Está com medo? Ligue para alguém ou leia algo que tenha a capacidade de te motivar e encorajar.
Além da auto-observação, é importante respeitar o que estamos sentindo para escolhermos situações que nos auxiliem, e não ao contrário. Quando nos priorizamos e nos sintonizamos com aquilo que somos, trazemos uma parte importante de nós para o mundo, entendendo que faz parte da vida as variações de humor e emoções e que é possível lidar com elas de uma forma inteligente e saudável. Agradar aos outros é bom, mas fazemos isso legitimamente quando primeiro estamos bem conosco. A auto observação é uma grande demonstração de amizade e de reconciliação consigo mesmo.

VOCÊ SABE PEDIR AJUDA?

Por: Marcela Pimenta Pavan

Parece simples pedir ajuda, mas muitas pessoas resistem a isso. Pedir ajuda pode representar não só assumir a própria fragilidade, como a exposição dessa fragilidade para outras pessoas. Muitos não querem isso, é incômodo aceitar a própria fragilidade em um mundo feito para fortes.
Além disso, pessoas aparentemente fortes, ou que se percebem mais predispostas a ajudar do que receber ajuda, podem ter dificuldades em trocar de papel e aceitar auxílio. A falta de flexibilidade pode levar a uma sobrecarga de tarefas e, no íntimo, muitos dos que ajudam desejam ser retribuídos,  querem receber ajuda para aliviar a carga.

 O que ganhamos quando pedimos ajuda. 

Todo mundo precisa de ajuda em algum momento da vida, não existe ninguém que não precise de socorro ao longo da caminhada, o que acontece é que nem sempre pedimos ou aceitamos. Às vezes, as pessoas que nos querem bem percebem a nossa necessidade e se aproximam, mas se não admitimos a necessidade de apoio, podemos desperdiçar esses valiosos recursos que a vida nos dá.
Pedir ajuda, em quaisquer situações da vida: no trabalho, na saúde, na família, pode trazer grande alívio. Podemos dividir o fardo de algumas situações e não precisar “carregar” tudo sozinho, nos permite ouvir palavras acolhedoras, encontrar novas formas de enfrentar uma situação que aparentemente não tem saída, ganhar novo ânimo, receber um ombro para descansar nossas preocupações e superar desafios.

Quando pedir ajuda.
 
Primeiro perceba a si mesmo. Se já empregou todas as suas possibilidades e não conseguiu mais caminhar sozinho em determinado assunto, é hora de fazer esse gesto de generosidade consigo mesmo e pedir ajuda.
Nesse caminho podemos contar com vários tipos de ajuda, algumas delas são:
  • A ajuda no plano pessoal: buscar amigos e familiares de confiança, que querem o nosso bem e que poderão nos ouvir com atenção e carinho.
  • A ajuda profissional, é um apoio fundamental pois há muitos profissionais que estudam e são mais preparados para lidar com questões difíceis, como psicólogos e médicos. Busque boas indicações e sempre perceba qual a sua impressão diante do profissional que o atende. A relação de bem-estar e confiança com um profissional é fundamental para o sucesso no enfrentamento das situações difíceis.
  • A ajuda espiritual, para aqueles que acreditam em algo maior, estar conectado com a sua espiritualidade, seja ela qual for, ajuda muito no processo. Já foram comprovados, através de estudos, que a fé é um importante aliado na superação das dificuldades da vida. 
O ideal é contar com o máximo de auxílio possível, nos diferentes campos disponíveis.
Saber o momento de pedir ajuda, e não ter vergonha em fazê-lo, é fundamental para a nossa saúde psíquica, mostra que reconhecemos o nosso limite e que podemos fazer alguma coisa de bom por nós mesmos. Aceitar ajuda é tornar a vida mais humana e leve.

QUEM TEM VERGONHA DE CHORAR?

Por: Marcela Pimenta Pavan

Quando choramos há um transbordamento de emoções e isso pode acontecer por vários motivos. Podemos chorar de alegria por um sonho realizado, chorar de alívio quando passamos por uma situação difícil, chorar de dor, seja ela física ou emocional, chorar quando pedimos ou recebemos ajuda, chorar de tristeza… Seja qual for o motivo, e ás vezes nem sabemos qual é, o choro fala de algo que está transbordando em nós. É natural da espécie humana e existe há muito tempo, segundo o oftalmologista Juan Murube Del Castillo, da Universidade de Alcalá, em Madri, a hipótese mais plausível, é que o choro tenha surgido antes da linguagem falada, como uma expressão mímica para comunicar dor. Concluímos então que o choro surgiu com a função de comunicar e até hoje comunica, quando alguém está chorando sabemos automaticamente que algo saiu do controle e tendemos a dar mais atenção a isso. Se estamos andando na rua e alguém passa por nós chorando provavelmente não passará despercebido, chamará nossa atenção.
O choro também muitas vezes incomoda, principalmente quando está relacionado a tristeza, perda, morte, separação, depressão. É comum nos afligirmos com o choro, tanto quando nós choramos, principalmente em público, quanto quando presenciamos o choro de alguém, pois podemos não saber lidar com isso. Mas, se o choro existe há tanto tempo entre nós, porque o estranhamos?

Choro e vulnerabilidade

O choro muitas vezes é interpretado como uma demonstração de vulnerabilidade. Quando alguém chora se sente exposto na sua fragilidade, por isso muitas vezes as pessoas preferem buscar um lugar para chorar sozinhas. Outro ponto é a reação exagerada que o choro provoca nas pessoas em volta. Quem está chorando muitas vezes não quer causar toda essa reação, só busca expressar sua emoção com tranquilidade. Muitas vezes recebo no consultório pessoas que querem o seu momento de chorar e aproveitam o espaço da psicoterapia para isso, pois não se sentem a vontade para chorar em outros lugares ou com outras pessoas, mesmo que sejam amigos ou familiares.
Poder chorar é muito terapêutico. Quando encontramos espaço e compreensão no outro para esse momento importante, sem causar alarde ou julgamentos, isso gera um grande conforto e alívio, a pessoa sensibilizada pode pensar melhor e seguir mais tranquila depois de um momento assim. Ás vezes só de poder chorar um pouco  e colocar para fora as emoções represadas, a pessoa recupera o bem-estar.
No entanto o que acontece é que cada vez damos menos espaço para a expressão sincera das emoções. Quando alguém chora perto de nós o que geralmente dizemos? “Para com isso! Você é forte! Não pensa nisso! Limpa esse rosto! Logo isso passa! ”  Sem percebermos estamos a todo momento negando o choro e o sofrimento do outro e com isso não legitimamos o sentimento, não permitimos que algo natural em nós encontre espaço na vida. E porque fazemos isso? Porque temos medo, medo de algo sair do controle, medo do que pode vir com o choro e o sofrimento do outro, medo do nosso próprio choro e sofrimento. O que muitos de nós não sabemos é que as emoções encontram espaço para se expressar quer a gente dê permissão ou não. Isso significa que se eu “engulo o choro” em um momento, em outro momento essa emoção vai buscar uma forma de aparecer, seja numa dor de garganta ou na agressividade com alguém próximo. Achamos que ao evitarmos o choro estamos evitando a emoção, mas não é assim que funciona.

Como podemos mudar isso?

O choro quando é apenas uma forma de conseguir atenção e para que o outro resolva o nosso problema é, sem dúvida, um comportamento imaturo. Quando crescemos desenvolvemos recursos mais eficientes para lidar com as dificuldades e é importante que isso aconteça, pois demonstra amadurecimento e melhora a qualidade de vida. Porém, todos nós somos afetados por emoções, independentemente da idade, e é natural que algumas vezes as emoções nos tome por completo levando-nos às lágrimas. Quando isso acontecer com você lembre-se que o choro é uma reação natural e que ajuda na liberação da tensão emocional. Se permita também olhar para essa emoção, perceber o que está por trás dela, busque uma forma de expressá-la sem se auto punir por isso.
Sem alguém chorar perto de você, ofereça o ombro, um lencinho de papel, um olhar compreensivo, um abraço. Escute, espere, reconheça e, se for necessário, diga “pode chorar, eu entendo” ou ” estou aqui com você, fique a vontade pra deixar vir o que quiser” . Essa é uma ação que, além de bela, é extremamente terapêutica e que colabora com um mundo mais tolerante com as emoções, seja elas quais forem. Não somos tão racionais quanto pensamos, somos movidos pela emoção e buscamos por isso. Deixar que as emoções transpareçam em nós é sermos mais tolerantes e humanos conosco e com o mundo.

sábado, 17 de dezembro de 2016

AUTO BOICOTE: QUEM TE IMPEDE DE SER FELIZ?

 Por: Viviane Lajter Segal

Sucesso profissional, felicidade ao lado de um companheiro, leveza ao lidar com o dia a dia são coisas desejadas por todos, certo? Nem sempre! A realização de um sonho, seja ele profissional, pessoal ou afetivo, assusta e provoca medo em mais pessoas do que podemos imaginar. Gera mudanças na vida o que, para muitos, é assustador e até paralisante.
Você já percebeu se existe alguma área na sua vida em que os seus comportamentos se repetem e que logo depois vem aquela sensação de que você poderia ter feito algo diferente para ter um resultado melhor? Podemos citar vários exemplos disso: Pessoas que quando começam a gostar de alguém fantasiam motivos para brigar e desgastar a relação; ou quando você está prestes a conseguir o emprego desejado, se atrasa para a entrevista; ou quando começa a emagrecer volta a comer muito e a engordar novamente. Será que é sempre falta de sorte ou coincidência? Provavelmente não! Trata-se de auto sabotagem ou auto boicote e são situações bastante comuns e, muitas vezes, difíceis de controlar.
O boicote ocorre quando nos prejudicamos em alguma área da vida, para dificultar ou impedir uma melhoria em nossas vidas. É um processo inconsciente, o que significa que não nos damos conta do que fazemos, apenas repetimos o comportamento de forma automática sem ter nenhum controle sobre nossas atitudes.

Por que isso acontece? 

As nossas histórias e o meio em que vivemos, desde muito pequenos, são grandes responsáveis pela formação da nossa personalidade e também dos nossos traumas e medos. Carregamos essas marcas ao longo da vida sem sequer percebermos ou pararmos para refletir.
Alguns aspectos psicológicos podem ser observados naquele que se sabota. Geralmente possui uma forma deturpada de se ver, se considera diminuído frente aos outros, como se não fosse merecedor de ter uma vida melhor. Pode existir uma importante baixa na autoestima que, consequentemente, gera uma insegurança profunda.
O medo de fracassar e de não dar conta das próprias expectativas também costuma ser uma grande armadilha na realização de um sonho. Esse medo se torna tão grande que a pessoa prefere não se arriscar e nem tentar alcançar algum objetivo. Como são processos inconscientes e automáticos, quando a pessoa se dá conta a oportunidade já passou e o sonho não se concretizou.

Como sair desse ciclo?

Um primeiro passo e, muito importante, é parar e se observar. Refletir se há alguma questão que repetidamente não dá certo na sua vida e se você tem alguma responsabilidade nisso.
Uma estratégia interessante é conversar com um bom amigo, ele pode ser a pessoa que vai te sinalizar quando os comportamentos automáticos se repetirem e, dessa forma, te alertar em relação ao auto boicote. Aceite ajuda! Às vezes é somente isso que você precisa para conseguir ultrapassar os próprios obstáculos. É muito importante que, aos poucos, isso se torne consciente e que você consiga perceber se a história que está sendo traçada da sua vida é a realmente desejada.
Em determinadas situações se conscientizar de algo e modificá-lo pode ser muito difícil gerando uma paralisia ou uma ansiedade muito forte. Nesse caso é recomendável procurar um psicólogo para dar início ao processo psicoterapêutico de autoconhecimento, para que juntos você possa se libertar das suas próprias prisões.
Não permita que o medo ou a insegurança te paralise na busca de novos desafios e na realização dos seus sonhos. Viver é correr riscos, é se lançar nas oportunidades, pois somente assim é possível se libertar e ser feliz!

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO DSM-IV (MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATISTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS)

A dependência de substância se apresenta sob os seguintes sintomas:

1. Tolerância:
Necessidade progressiva de maiores quantidades da substância pra atingir o efeito desejado. Significativa diminuição do efeito após o uso continuado da mesma quantidade da substância.

2. Abstinência: Presença de sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia e sinais fisiológicos (tremor) desconfortáveis após a interrupção do uso da substância ou diminuição da quantidade consumida usualmente. Consumo da mesma substância ou outra similar a fim de aliviar ou evitar os sintomas de abstinência.

3. Ingestão excessiva:
Ingestão da substância em quantidades maiores ou por um período maior do que o período de uso inicial.

4. Desejo de diminuir
O indivíduo expressa o desejo de reduzir ou controlar o consumo e a quantidade da substância ou apresenta tentativas nesse sentido, porém sem sucesso.

5. Perda de Tempo Boa parte do tempo do indivíduo é gasto na busca e obtenção da substância, na sua utilização ou na recuperação de seus efeitos.

6. Negligência em relação às atividades
O repertório de comportamentos do indivíduo, como atividades sociais, ocupacionais ou de lazer do dependente encontra-se extremamente limitado para atividades que envolvam o uso da substância.

7. Persistência no uso 
Embora o indivíduo se mostre consciente dos problemas ocasionados, mantidos e/ou acentuados pela substância, sejam físicos ou psicológicos, seu consumo não é interrompido.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

DEPENDÊNCIA QUIMICA

A Dependência Química é considerada um transtorno mental, em que o portador desse distúrbio perde o controle do uso da substância, e a sua vida psíquica, emocional, espiritual e física vai se deteriorando gravemente. Nessa situação, a maioria das pessoas precisa de tratamento e de ajuda competente e adequada. Dependência química não é simplesmente "falta de vergonha na cara" ou um problema moral, é uma doença como a Diabetes, o paciente não escolhe ter a doença, mas pode sim escolher fazer o tratamento, e assim como diabeticos controlam o açucar no sangue com medicações e cuidados com a alimentação, o dependente químico pode buscar ajuda para controlar sua adicção e entender o ciclo da doença. É considerada uma doença BIOPSICOSSOCIAL.

É uma doença química: É provocada por uma reação química no metabolismo do corpo. O álcool e o tabaco, por exemplo, embora a maioria das pessoas separe das drogas ilegais, são drogas tão ou mais poderosas em causar dependência em pessoas predispostas, como qualquer outra droga, ilegal ou não.

É uma doença interna e não externa: As questões externas como dificuldades sociais, familiares, sexuais, profissionais não geram a dependência química. Existem fatores internos de cada organismo, que atuam direta e indiretamente e contribuem para a instalação da doença, provocando uma predisposição física e emocional para a dependência.

É uma doença progressiva: o uso contínuo e sem tratamento de drogas pode se tornar cada vez mais intenso e perigoso para o dependente químico. É uma doença crônica incurável: Uma vez dependente químico, sempre dependente, indiferente de estar ou não em recuperação, usando ou não usando algum tipo de droga. Não existe cura para a dependência química, existe sim tratamento com êxito – contínuo e permanente.

É uma doença controlável: Mesmo que não se possa usar o álcool ou outras drogas de maneira “social” ou “recreativa”, o dependente, se aceitar e realmente se empenhar no tratamento, poderá viver muito bem sem a droga e sem as consequências negativas do seu uso frequente.

É uma doença que atinge toda a família: O convívio com o dependente químico faz com que sua família também adoeça emocionalmente, tornando-se necessário o tratamento de todos os familiares. Recebendo assim orientações a respeito de como lidar com o dependente e de como lidar com seus sentimentos em relação a ele.

É uma doença física: Se manifesta pelo aparecimento de profundas modificações físicas, alterando o metabolismo orgânico quando se interrompe o uso da droga. Essas alterações físicas obrigam o usuário a continuar consumindo a droga, caso contrário ocorre uma “crise ou síndrome de abstinência”. Essas alterações presentes na “Síndrome de Abstinência” se manifestam por sinais e sintomas de natureza física e variam conforme a droga.

É uma doença psicológica: É a sensação de satisfação provocada pelo uso da droga que faz com que o indivíduo a utilize continuamente para permanecer satisfeito e evitar o mal estar da abstinência. A falta da droga deixa o dependente abatido, em péssimo estado psicológico. Quando privados da substancia, os dependentes sofrem modificações de humor, comportamento, mal-estar. Os tóxicos que criam dependência psíquica provocam um hábito.

TRAUMAS: É POSSÍVEL SUPERAR

Por: Karyne Correia

Que os traumas que vivemos na infância deixam marcas para a vida adulta, nós já sabemos. Muitos dos medos e ansiedades que sentimos, além das dificuldades nos relacionamentos interpessoais e problemas de autoestima têm sua origem na infância, em eventos que naquele período foram traumáticos.
Contudo, um estudo da Escola de Medicina da Universidade Yale verificou uma relação entre o trauma experimentado na infância e a redução do volume cerebral de áreas importantes para o aprendizado, a memória e o controle das emoções. Esta redução do volume cerebral implicaria em uma vulnerabilidade maior a desenvolver algumas dificuldades. Por exemplo, de acordo com o mesmo estudo, pacientes em tratamento de dependência de drogas que tenham sofrido traumas na infância teriam maior vulnerabilidade a ter recaídas e voltar a usar drogas após tratamento.
Ao ler sobre este estudo fiquei pensando em quão grave são as consequências do pecado para nossa saúde mental. As situações terríveis a que crianças são expostas todos os dias, e que geram traumas, atuam não apenas num nível cognitivo (de pensamentos e emoções), mas em um nível físico, debilitando fisicamente o cérebro.
Felizmente existe solução. Existem centenas de pessoas que vivem experiências traumáticas, mas desenvolvem o que chamamos de resiliência, uma forma mais positiva de lidar com a vida após ter vivido situações complexas como as que geram traumas. Alguns desenvolvem a resiliência com suporte profissional. Outros a desenvolvem através de novas experiências que experimentam ao longo da vida. O fato é que, mesmo que o mal gere grandes danos físicos e mentais, estes danos não são o fim. É possível superar.

OS LIMITES DA SUPERAÇÃO

Por: Wagner Campos.


Às vezes passo a refletir e me questionar o quanto somos imensos diante de nossas limitações e ao mesmo tempo como podemos ser pequenos diante de nossa grandiosidade.
De um lado, há pessoas que desperdiçam tempo justificando seu desinteresse e falta de proatividade, criando uma incapacidade física, mental e profissional. Suas maiores criatividades se baseiam em argumentos para justificar que não conseguem algo que mal tentaram fazer e justamente por isso, ficaram distantes de o conseguirem. O mais decepcionante é quando algumas pessoas utilizam em seus argumentos o insucesso e fracasso de terceiros como referência, chegando a comentar: “bom, pelo menos fui melhor que fulano” ou ainda, “mas beltrano é pior que eu”.
É irônico, mas essas pessoas criativas em justificativas de fracasso jamais argumentam algo como “não consegui o resultado desejado porque não tive coragem de seguir” ou “eu tenho certeza de que não consegui porque não tive interesse em testar meus limites” e milhares de outros comentários.
A superação não depende de classe social, cor ou educação. Sua superação depende de ter um objetivo em sua vida e acreditar em algo. Superar uma dificuldade não quer dizer que terá todo o sucesso no dia seguinte. Significa alcançar um pequeno sucesso diariamente, uma vitória a cada momento. Obviamente precisando vencer várias dificuldades e paradigmas, e de repente poderá até ter medo. Você deve ter medo de desistir e não de continuar. Ir de encontro ao que acredita é o que fará a grande diferença para sua realização e superação.
Pesquisando na internet temos a opção de conhecer vários textos ou vídeos sobre pessoas que se superaram. Há pessoas da terceira idade fazendo acrobacias com enorme grau de dificuldade e mais perfeitas que muitos adolescentes. Há outras sem os membros inferiores e superiores, que vivem sem depender de ajuda, que trabalham, cozinham, nadam, enfim, têm qualidade de vida melhor do que uma pessoa com o corpo perfeito. Isso porque não procuram criar justificativas e vivem em busca de soluções para serem auto-suficientes, enquanto a maioria se encontra dependente, não realizando algo enquanto alguém não o entregar prontinho em suas mãos.
Um fato é verdadeiro: o ser humano somente comprova sua capacidade quando realmente precisa dela. A maioria busca, infelizmente, problemas onde eles não existem. Há aqueles que somente controlam suas finanças depois de terem perdido tudo, outros valorizam os entes queridos quando passaram por momentos traumáticos, outros organizam melhor seu tempo quando a falta de tempo foi responsável por prejudicá-los em algo. Quaisquer que sejam as necessidades de superações, ao meu ver as limitações são muito mais psíquicas do que reais. Há muito mais preocupação em se identificar um motivo para não fazer algo do que em ver os bons resultados que serão obtidos caso seja realizado.
Exija mais de você! Exija mais tempo para aproveitar a convivência com os familiares, exija mais tempo para realizar sua tão desejada viagem, mais esforço para aprender o idioma que está estudando, mais dedicação no esporte, mais interesse em seu aprendizado. Exija mais disposição para ser feliz! Exija, exija e exija!
Seja mais disposto a evoluir e se superar. Seja mais disposto a entender e acreditar. Acredite que suas aptidões podem se revelar muito além do que você conhece e teste os limites de sua capacidade física e mental. Mas teste principalmente os limites de sua capacidade de perseverar! Seu poder de superação está muito além de seus músculos, bens e recursos financeiros. Sua maior superação dar-se-á quando acreditar que você realmente é capaz!

APOSTE NA SIMPLICIDADE PARA SER FELIZ

Há diversas maneiras de ser simples. Encontre a ideal para você e seja feliz!
Felizmente existe a ideia da simplicidade, e esta é, digamos, simples desde sua origem. A palavra é formada por duas outras de origem latina: sin, que significa único, um só, e plex, que quer dizer dobra. Ser simples significa ter uma só dobra, ao contrário do complexo, que tem várias. Simples!
Simplificar significa evitar a complexidade e criar uma vida sem mistérios? Há uma diferença fundamental entre ser simples e ser simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. Eu conheço pessoas sofisticadas, intelectualizadas, que levam uma vida plena, realizam trabalhos difíceis, apreciam leituras profundas e têm hábitos peculiares. E continuam sendo pessoas descomplicadas. Conheço também pessoas simplórias, com pouca profundidade, que realizam trabalhos repetitivos, que têm poucas ambições, que apreciam rotinas e evitam os sustos de uma vida aventurosa. E mesmo assim são pessoas complicadas, para elas tudo é muito difícil, em geral impossível.

Não há um paradoxo em construir uma vida simples em meio à vida moderna, cada vez mais exigente? Hiroshi criou a Ecovila Clareando, uma comunidade autossustentável no interior de São Paulo que atrai gente comprometida com a natureza e com seus valores, como a sustentabilidade, sem a ingenuidade das "sociedades alternativas" de antigamente, mas tendo a simplicidade como filosofia. Ele planta e produz praticamente tudo o que precisa para se alimentar, domina as técnicas de construção ecológica e de produção de energia limpa. Mas não é um isolado, viaja, participa de congressos, dá palestras, toca violão, compõe músicas. E é alegre em tempo integral.

Goldberg é professor da New York University, onde faz pesquisas sobre o cérebro humano, e consegue falar sobre seu funcionamento de maneira compreensível. Escreveu alguns livros, entre eles O Paradoxo da Sabedoria, em que afirma que, apesar do envelhecimento do cérebro, a mente pode manter-se jovem. Seus textos são o melhor exemplo de como se pode simplificar o complexo, pois são sobre neurofisiologia, mas qualquer um entende.

Eu não poderia imaginar vidas mais diferentes e, ao mesmo tempo, mais parecidas. Ambos carregam uma leveza própria das pessoas que decidiram não complicar, sem abrir mão de seus desejos, projetos, pequenos luxos, enfim, da vida normal. Pessoas assim, que fazem a opção da simplicidade, têm alguns traços comuns. Identifico cinco deles:

1. São desapegadas: não acumulam coisas, fazem uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais.

2. São assertivas: vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja para dizer não, sem medo de decepcionar, não "enrolam" nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente.

3. Enxergam beleza em tudo: em uma flor no campo e em um quadro de Renoir; em uma modinha de viola e em uma sinfonia de Mahler; em um pastel de feira e na alta gastronomia.

4. Têm bom humor: são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial.

5. São honestas: consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo.

Ser simples, definitivamente, não é abrir mão de nada. É possível apreciar o conforto, a sofisticação intelectual, as artes, o prazer da culinária, a aventura das viagens e continuar sendo simples.

Pois ser simples não é contentar-se apenas com o mínimo para manter-se fisicamente vivo, uma vez que não somos só corpo, também somos imaginação, intelecto, sensibilidade e alma. E esta última é, sim, simples, mas não é pequena, a não ser, é claro, que a pessoa queira.