Por: Marcela Pimenta Pavan
As selfies já fazem parte do nosso dia a
dia. Registrar a própria imagem em um bom ângulo e postar na rede se
tornou tão comum que poucos ainda não se renderam a essa forma de estar
presente no seu círculo virtual.
Mas, o que chama a atenção é que de algum
tempo para cá as selfies tem crescido excessivamente demonstrando uma
fixação em sim mesmo. Uma pesquisa da Academia Americana de Plástica
Facial e Cirurgia Reconstrutiva fez um levantamento com 2,7 mil
cirurgiões americanos e concluiu que um em cada três profissionais
pesquisados registrou “aumento nos pedidos de procedimentos porque os
pacientes estão mais preocupados com os olhares nas redes sociais”.
Será que há algo por trás desse comportamento? O que estimula as pessoas a ficarem tão preocupadas com a própria imagem?
De alguma forma receber várias curtidas,
chamar a atenção e ser admirado faz com que as pessoas busquem mais e
mais por isso, parece haver um desejo pelo olhar constante do outro. E
não é só em relação aos bonitos, há espaço para vários estilos: os
charmosos, os criativos, os nerds, os cultos.. A questão não é o que,
mas a necessidade em parecer alguma coisa, impressionar o outro, chamar a
atenção, independente se é adequado ou não. As selfies dos velórios
demonstram que mais importante do que estar no velório e mostrar para os
outros que está.
Excesso de autoestima?
A autoestima é a confiança no próprio
potencial, a certeza da capacidade de enfrentar os desafios da vida, a
consciência do próprio valor e do direito ao sucesso e à felicidade.
(CERQUEIRA, 2004).
Lendo essa definição de autoestima
podemos fazer uma nova reflexão. Será que as pessoas que estão muito
preocupadas com o olhar do outro confiam tanto no próprio potencial?
Quando precisamos constantemente da afirmação e da “curtida” do outro
para sentir alguma satisfação, algo está equivocado. Estamos olhando
cada vez mais para fora, ao invés de olhar para dentro, e isso reforça o
sentimento de insegurança em si mesmo.
Isso quer dizer que esse movimento
exagerado ao invés de demonstrar que as pessoas estão seguras e felizes
consigo mesmas mostram, na verdade, o contrário. Uma auto insatisfação
constante e a necessidade de parecer, muito maior do que a necessidade
de realmente ser.
O risco é alto quando colocamos todas as
fichas na aceitação do outro. Pois as outras pessoas podem não se
importar, não curtir, não responder, não gostar. Nessa hora surge o
sentimento de rejeição e inadequação. Para responder a essa inadequação
as pessoas buscam novas formas de aparecer e chamar ainda mais a
atenção.
E o que fazer?
O caminho para construir a verdadeira
autoestima é totalmente inverso. Conhecer a nós mesmos e nos aceitarmos
nos fortalece como indivíduos. É preciso coragem para olhar para si
mesmo, ver as forças e as fraquezas, e ser generosos com isso,
reconhecendo que toda a humanidade tem suas vulnerabilidades.
Por trás da beleza, do dinheiro, do
status, da intelectualidade, há uma parte frágil querendo se esconder,
as pessoas precisam ter espaço para mostrar sua fragilidade humana. Essa
era da perfeição só colabora para mais ansiedade e sentimento de
inferioridade.
Só através do autoconhecimento podemos
receber quem nós somos, e assim se formos curtidos ou não, seja na rede
social ou na vida, podemos seguir leves, pois escolhemos mostrar aquilo
que, primeiramente, faz sentido e é coerente para nós mesmos.






